O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou nesta sexta-feira (14) a Operação Dupla Face, voltada para desarticular um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro ligado à organização criminosa Sindicato do Crime. A ação policial e ministerial cumpriu oito mandados de busca e apreensão nos municípios de Natal e São Gonçalo do Amarante, situados na Região Metropolitana.

Durante as diligências, um homem foi preso em flagrante com porções de skunk. Além da droga, os agentes apreenderam aparelhos celulares, dinheiro em espécie e documentos que serão submetidos a análises periciais e investigativas pelo Ministério Público para subsidiar o processo criminal e apurar a eventual participação de outros envolvidos nos crimes.

Esquema financeiro e empresas de fachada

De acordo com as apurações conduzidas pelo órgão ministerial, o grupo criminoso mantinha uma estrutura voltada tanto para a comercialização de entorpecentes quanto para a ocultação de capitais. A lavagem do dinheiro obtido com a atividade ilícita era realizada mediante a utilização de contas bancárias pertencentes a terceiros e por meio de empresas de fachada criadas para simular transações lícitas.

Segundo informou o Ministério Público em apuração divulgada pelo portal G1, a facção contava com uma rede de operadores financeiros e colaboradores que cediam nomes, contas de pessoas físicas e jurídicas, além de chaves Pix, com o objetivo de promover a triangulação dos pagamentos decorrentes da venda de drogas.

Para garantir o funcionamento das atividades ilícitas, a facção mantinha uma rede de contatos e operadores financeiros que emprestavam nomes, chaves Pix e contas de pessoas físicas e jurídicas para fazer a triangulação dos pagamentos das drogas.

— Ministério Público do Rio Grande do Norte, em nota ao G1

Desdobramento de investigações anteriores

A deflagração da Operação Dupla Face constitui um desdobramento de investigações anteriores conduzidas pelo Ministério Público, que já haviam resultado no afastamento de uma servidora da Justiça em dezembro de 2025. O material recolhido nas residências e estabelecimentos alvos dos mandados judiciais desta sexta-feira tem como finalidade principal desmantelar o suporte financeiro mantido pela organização criminosa.

visando desarticular o suporte financeiro do grupo e colher novas provas para o processo criminal

— Ministério Público do Rio Grande do Norte, em declaração ao G1

Os mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário foram executados de maneira conjunta por promotores de Justiça, servidores efetivos do MPRN e integrantes da Polícia Militar do estado, que prestaram apoio operacional às diligências nos dois municípios.