O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (20 de agosto de 2026) a implantação de um supercomputador no valor estimado de R$ 1 bilhão no Rio Grande do Norte. O anúncio foi feito durante visita ao Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), localizado no município de Macaíba, na Região Metropolitana de Natal.
A instalação do equipamento faz parte das diretrizes do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Do total de recursos previstos, R$ 960 milhões serão aplicados na aquisição do equipamento, enquanto R$ 100 milhões serão direcionados às etapas preparatórias e operacionais. O financiamento é proveniente do CT-Infra, instrumento voltado ao fomento de infraestrutura de pesquisa científica.
Critérios de escolha e capacidade técnica
Durante o evento, o presidente afirmou que a seleção do estado nordestino considerou a necessidade de descentralizar os investimentos públicos em tecnologia no país.
São Paulo queria, Campinas queria. E por que eu decidi aqui? Porque eu acho que a gente precisa olhar o Brasil e os estados que mais necessitam.
— presidente Luiz Inácio Lula da Silva
A governadora Fátima Bezerra destacou que o estado ofereceu as condições técnicas mais adequadas para receber o projeto, incluindo a infraestrutura de localização e a disponibilidade de energia limpa.
O Rio Grande do Norte apresentava as condições técnicas mais adequadas não só do ponto de vista da localização, mas do ponto de vista, inclusive, de um insumo fundamental que é a energia limpa em abundância que nós temos.
— governadora Fátima Bezerra
O equipamento contará com desempenho de 7.200 petaflops em FP16, mais de 50 mil núcleos de processamento e consumo elétrico projetado em 4 megawatts. A capacidade operacional permitirá realizar até 7,2 quintilhões de operações por segundo.
Três rotas tecnológicas do plano federal
O supercomputador potiguar integra uma estratégia dividida em três frentes principais dentro do PBIA, que prevê investimentos totais de R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028. Além da aquisição da máquina para o Rio Grande do Norte, o planejamento federal engloba uma cooperação tecnológica com a China voltada ao Rio de Janeiro e o desenvolvimento de chips com arquitetura aberta em Campinas, no estado de São Paulo.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, pontuou que a iniciativa compreende exigências estruturantes para o fortalecimento do ecossistema tecnológico nacional.
Não se trata só de adquirir uma máquina. Há contrapartidas previstas que as empresas deverão cumprir, benefícios estruturantes para o nosso país. É todo um ecossistema em torno dessa máquina.
— ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos
Público-alvo e aplicações
A nova infraestrutura tecnológica será voltada para múltiplos setores da sociedade, atendendo universidades e centros de pesquisa em projetos de inteligência artificial e ciência de dados, empresas e startups no treinamento de modelos proprietários, órgãos governamentais em políticas públicas de saúde, agricultura, clima e serviços, além de profissionais e estudantes em capacitação técnica qualificada.


